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É sempre o público que escolhe como consome informação.

É sempre o público que escolhe como consome informação.

Durante uma reunião, ali na virada para os anos 2010, um executivo de veículo de comunicação da Paraíba abordou um tema que, para mim, resume o que é o comportamento de consumo de informação nos dias de hoje: não é a marca ou o veículo que definem como as pessoas irão acessar o seu conteúdo. Quem define a forma de consumir informação é a própria audiência.

Penso que, a marca (seja ela uma empresa, entidade, personalidade pública, organização) que pensa em limitar os meios de transmissão da sua mensagem terá, por fim, um público também limitado de pessoas lendo, assistindo ou ouvindo falar sobre suas ideias, serviços e produtos.

É óbvio que, durante um tempo, parecia que tudo convergia apenas para as redes sociais e seus influenciadores digitais. Um fenômeno de crescimento exponencial que deixou-nos surpresos e atônitos. Parecia que tudo se resumiria a apenas isso e todo resto estava fadado ao fim trágico e melancólico. É, mas só parecia.

O que não podemos esquecer é que a audiência é sempre multicanal. A audiência consome informação de várias formas. São várias “personas”, com perfis etários, sociais, culturais, econômicos e tantos outros bastante diversos. E sempre que é preciso mais profundidade sobre qualquer assunto, vemos que a pluralidade de plataformas é fundamental para melhorar o debate.

A pandemia do Coronavírus trouxe mais clareza sobre isto. Vemos uma notícia ou vídeo nos canais digitais, lemos um pouco mais num jornal ou publicação especializada, ouvimos especialistas em entrevistas em rádio e TV, compartilhamos nossas emoções e conclusões nas redes sociais. Assim, consumimos informação e retroalimentamos o sistema com mais informações e “insights”. Tudo ao mesmo tempo, num fluxo confuso e contínuo, que nos faz consumidores e atores importantes desse grande emaranhado de comunicação.

No casos dos veículos de comunicação, por exemplo, quem trabalha com impresso, TV, portais de notícias e rádio sabe bem que sua programação não pode estar “limitada’ a apenas essas plataformas. Mesmo que sua audiência seja nestes canais. Ela é grande, mas não atinge todo mundo.

Conheço muita gente que está sempre bem informada sobre todos os temas, mas que consome informação em apenas um único horário do dia. Como isso? Por meio de vídeos dos telejornais, links da programação da rádio, matérias dos veículos impressos convertidos em material para sites, blogs ou redes sociais. Por isso, quanto mais fácil e acessível forem as formas de encontrar sua programação, maior a chance de fidelizar uma crescente audiência.

E como ficam as marcas nesta conversa? Penso que as marcas precisam assumir um papel maior de coadjuvante para se posicionarem e conquistarem audiência e relevância.

Além da mídia paga (anúncios e publicidade) e as ações de assessoria de imprensa (mídia conquistada), reforço que as marcas devem investir cada vez mais na curadoria e produção de conteúdo próprio.

E dá pra ser informativo, estruturado, bem gerido e relevante para sua audiência sem ser “chapa-branca”. A marca deve oferecer conteúdo de qualidade, com embasamento técnico, para audiência entender seus propósitos e objetivos. Deve também tratar as polêmicas e crises com transparência e objetividade. Sempre com o claro objetivo de posicionar a marca como formadora de opinião. A ideia é desintermediar a relação com sua audiência.

Tem espaço para quase tudo no mercado de comunicação. Aliás, sempre lembro que muitos nichos ainda têm poucos players sérios e relevantes. E se for de qualidade e trouxer uma nova visão para o debate de ideias, com certeza vai reverberar e conquistar audiência.

FONTE: LEANDRO RAMALHO

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