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Havia uma lição escondida no dia seguinte ao “Fim do Mundo”.

Havia uma lição escondida no dia seguinte ao “Fim do Mundo”.

Havia uma lição escondida no dia seguinte ao “Fim do Mundo”.
As crises que já vivemos deveriam servir pelo menos para que não repetíssemos os mesmos erros.

Há menos de uma semana, o Goldman Sachs revisou pra baixo as projeções sobre o PIB brasileiro em 2020. Ao traçar uma linha no chão e apontar que o PIB deve cair mais de 7% esse ano, os investidores estrangeiros parecem imunes à sedução do Superministro da Economia — que numa live com seus ex-sócios do BTG Pactual prometeu “surpreender o mundo” no pós-pandemia. O próprio Banco Central estima que o baque seja maior que 5%, mas nada parece mudar a visão ortodoxa do Dream Team da Economia— reunido para tocar as reformas que iriam modernizar o Brasil. No meio da famigerada reunião ministerial que desencadeou as denúncias de interferência do Presidente da República na Polícia Federal, deu tempo de assistirmos Paulo Guedes formular, com precisão nunca vista, como devemos enfrentar a crise do corona vírus:
“Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos pra salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequenininhas”.
(Paulo Guedes)
Curiosamente, pouco tempo antes de formular essa espécie de Revival dos Campeões Nacionais da Nova Matriz Econômica, Paulo Guedes passara um pito no General Braga Neto e em seu antagonista, o Ministro do Desenvolvimento Regional, o potiguar Rogério Marinho. Segundo o Posto Ipiranga, “se a gente (Governo)quiser acabar igual a Dilma, a gente segue esse caminho (Programa Pró-Brasil)”. É tentador e seria muito fácil usar a pandemia para apontar problemas na condução da economia, mas estrear essa coluna em meio a uma crise médico-sanitária sem precedentes tem suas vantagens. A maior delas? Analisar o cenário à luz das crises que já vivemos antes e mostrar como as relações institucionais de uma multinacional nordestina, a gigante baiana Odebrecht, nos ajudam a explicar o patrimonialismo brasileiro.

A produtividade em crise é um dos raros consensos entre economistas de todos os credos no Brasil: somos menos inovadores, mais caros, menos competitivos e eficientes do que a maioria dos nossos competidores globais. No auge dos Governos Petistas, entretanto, pode-se dizer que havia um esboço estratégico de qual deveria ser a posição geopolítica e econômica do país no mundo. Não pretendo me alongar muito em detalhes sobre isso, mas durante mais ou menos uma década, o Estado Brasileiro apostou alto no papel que grandes empresas brasileiras, como a Odebrecht , deveriam cumprir para consolidar o país como potência regional em desenvolvimento. O tempo passou, os Governos Petistas se foram, a economia desde 2014 só faz água e cá estamos em meio ao caos. Pior, estamos de volta à ideia de que basta colocar dinheiro na mão de grandes empresas, que estará tudo resolvido.
Manter-se em Estado de Negação em relação à pandemia é ruim. Insistir na contramão do que fazem os governos do mundo quando o assunto é direcionar crédito, é muito pior. Nos EUA, foram destinados quase R$2 trilhões às pequenas empresas; na Alemanha, o Governo da Chanceler Angela Merkel aprovou a liberação de R$4,2 trilhões. Freelancers e micro-empresas alemãs que empregarem até cinco pessoas poderão receber recursos do governo na ordem de 9.000 euros (R$ 50,9 mil)durante o período de três meses. No Brasil, o pagamento de um auxílio emergencial de 100 dólares está transformando um banco público em uma espécie de vetor de transmissão do corona vírus.
Manter-se em Estado de Negação em relação à pandemia é ruim. Insistir na contramão quando o assunto é direcionar crédito, é muito pior.
Só em São Paulo segundo o Sebrae, os pequenos negócios representam 98% das empresas. Eles também são responsáveis por mais da metade dos empregos gerados e quase 40% do total de salários pagos. Estas e outras informações que demonstram a capilaridade dos pequenos negócios e sua importância para a dinâmica da economia brasileira já deveriam ser suficientes para que não repetíssemos os mesmos erros de sempre. Mas sabendo como funciona a mentalidade brasileira, voltemos a um exemplo de um passado não tão distante. Vamos mover as peças três anos no túnel do tempo e voltar à Odebrecht e à chamada DELAÇÃO DO FIM DO MUNDO.
Um dia após o Estadão publicar a Lista do Fachin — com todos os inquéritos encaminhados pelo Ministério Público Federal e originados do acordo de delação premiada de 78 executivos do Grupo Odebrecht — o editor do Valor Econômico, Cristiano Romero, publicou artigo, em sua coluna do Valor Econômico, em que pontuava o seguinte: o BNDES despejou o equivalente a 10% do PIB em crédito subsidiado entre 2009 e 2015 e a indústria, em vez de crescer, encolheu. “Entre 2010 e 2016, a produção industrial recuou quase 20% no Brasil, enquanto, no mesmo período, cresceu 20% no mundo.”
TEXTO – LUIS CARLOS PONTES

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